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Tais como aquelas mesas gigognes que encaixam umas nas outras, estas visões invertidas sucedem-se até à negação da própria realidade. Três gigantes de sentinela, encaixilhados guardam os seus domínios. A moldura exterior ilumina uma permutação destas cabeças trocistas enquanto que as duas interiores fugam para o infinito recorrendo à diminuição de escala e aplicando uma perspectiva de recuo. Forçosamente evidencia uma relação de poder entre estes dois tipos morfológicos onde o grau de mutação é sintomático. São os guardiões que categoricamente revelam maior evolução estilística manifestando, no entanto, alguma prostração. Este rebanho global que polui o espaço repetindo incessantemente os mesmos crimes enfrenta, também, o julgamento final. Clarificando a composição, destacam-se dois personagens tipo, dos quais, carecas de óculos de mergulho com a língua de fora, numa atitude de sátira aos cinco sentidos alienados e ordenados permutacionalmente em cada espaço que ocupam, aparecendo ainda três rostos estilizados recortados pelos emolduramentos de sucessivas janelas. O cinzento caracteriza os carecas uniformizando o conjunto humanoíde. Os amarelos das janelas fotolumínescentes supõem a manifestação reactiva dos organismos à luz. Por fim, as carnações emulam o divinal, nestas caretas a boca ocupa o lugar do olho e inversamente; desconcertantes pela sua singularidade estas formas emocionam porque participam do mistério da criação.
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