A marcação com a palma da mão pretendeu exaltar a diferenciação realizada pela pegada, num mundo em que a caça determinava a sobrevivência, também houve necessidade de determinar limites territoriais e de propriedade. A mão ou a sua representação, permaneceram ao longo de várias épocas atestando diferentes interpretações simbólicas. Desenhos da mão e do pé são encontrados como ex voto (em agradecimento aos milagres realizados) em todos os locais de culto e peregrinação. Na maior parte das religiões, o sinal da mão é relacionado ao gesto de abençoar. Na doutrina da salvação budista , existe toda uma linguagem gestual nas diversas posições da mão do Buda. Em oposição à mão que cura, existem também gestos de conspiração e infortúnio, como a famosa mão do diabo, que simboliza os chifres e serve para afastar o mau-olhado. Na India, a mão direita é vista como boa e a esquerda como ruim. Num contexto mais simplista, estas impressões palmares ligam-se ao sentido do tacto, e directamente, aos ideiais do erotismo e da sexualidade. São marcas do desejo e da vontade de possuir, literalmente, o outro.

Tríptico constituido pelos três paineis