Comparando com "Coroa de Hélios"

Como as aparições laterais exercem novos centros gravitacionais, os elementos da composição sofreram distorções que evocam algumas paísagens surrealizantes. Uma sensação de naúsea traspassa a mente, um desequilíbrio iminente transforma-se, de repente, numa agitação sub-aquática onde elementos fluídos, ondulam e flutuam. Esta imersão, nas aguas espirítuais que representam a raíz dos quatro elementos aristotélicos, participa da própria evocação do baptismo pelo qual, simbólicamente, se realiza a lavagem do pecado original e a reunião com o deus católico. Estes astros povoados de cabeças trocistas apostas simétricamente, representam outro símbolo já utilizado que é o haltere, que relaciona e admite todo o tipo de oposições. Aproximando-nos, doutrinalmente, da filosofia zen, que no seu essencial divide o universo em duas grandes categorias, temos o yin e o yang. Também associado a estes principios taoistas, o número cinco faz a ponte para a percepção do vazio em detrimento da forma, na medida em que nada retem a atenção do iniciado. É pelo esforço espiritual, que este principio correlativo entre equilíbrio e desequilíbrio, tende para a abstracção e o alheamento, e serve, ainda em certa medida, de catalisador para a experiência meditativa.