preto, esquerda e direita, e todas as outras daí resultantes, intensificam as significações taoístas. É sempre pela via meditativa que se anulam as tensões entre os opostos e se realiza a harmonia universal. A descoberta de novas originalidades, encerra em si, a possibilidade e margem para erros na escolha duma qualquer das permutas realizaveis. É, certamente, dessa decisão parcial, que nasce o objecto artístico. Espero que, nesta fase, e depois de termos analisados variadas outras obras, tenhamos evidenciado o depuramento ao nível das opções dos motivos. Este aspecto redutor, o qual admite pouquíssimos elementos, transforma-se em desafío e obriga o espírito a encontrar soluções que, espantosamente, acabam por surgir como uma cascata ou um rio em fúria transbordante de energia mercurial. Passado, finalmente, este periodo de frenesim interior, em que novas relações e variados traçados esquemáticos foram preestabelecidos, surge o momento de seleccionar a composição que melhor corresponde ao que dela se pretende. É o instante da devolução da  alma, porque da destruição simbólica, de toda uma série de hipóteses credíveis, nasce uma verdade absoluta. A transmutação do corpo em epírito puro e vitalizante, acontece pelo desmembramento ritualizado da cabeça solar, a qual deve ser escondida do mundo. Esse Los ou Sol, profeta da imaginação, o inventor e artífice de todas as coisas, é ele o fogo misterioso que, na natureza íntima, transforma o espírito divino em matéria.

«Porque todos são homens na eternidade,os rios , as montanhas ,as cidades, as aldeias,
Todos são humanos, e quando penetras no seu seio percorres
Os ceús e as terras, assim como transportas no teu seio o ceú
E a terra e tudo aquilo que vês; e embora pareça ser o exterior, na realidade é o interior
Na tua imaginação, de que este mundo mortal mais não é do que uma sombra.»

  William Blake

        "Jerusalem"