São "caretas" porque os primeiros espasmos apelam ao nascimento, dor criadora dos mundos. São "bocas" para a nossa humanidade delirante porque perante tanta evolução, também enfrentamos, impotentes, irreversíveis metamorfoses. São "decapitados" ou "mascarados" porque a cabeça, símbolo solar, inicia-nos para a realidade dos mitos. A epopeia humana continuará a ser a lenda, o mistério original.

Nesta obra, o "Mascarado", o recurso à noção de trindade transporta em si todos os signos e filosofias de cariz ascéticos. Reconhecemos a trilogia pai, filho e espírito santo, como tambem podemos referir o trio pai, mãe e filho. A obra pretende, assim, devolver o ênfase da materialidade. A superficie do quadro encontra-se bi-partida, apresentando, à esquerda, um quadrado, que simboliza a expressão primitiva do objecto, da propriedade e da habitação. A leitura ocidental comporta um movimento que oscila da esquerda para a direita, ordenando a composição. A sensação de fechamento que a forma quadrangular encerra , é reforçada pela combinação entre um sinal fechado (o quadrado) e sinais abertos (as diagonais inscritas). A divisão deste quadrado, em outras três áreas, supõe a descoberta dum novo equilibrio formal. Criar três planos perspecticos que ascendem pela representação, contrariam a leitura de descida influenciada pelas diagonais. A  noção de escala transmitida, reconstroi a perspectiva, apresentando três niveís de afastamento. Os elementos que ocupam o primeiro plano, encontram-se na parte inferior do quadro, assim que a distância aumenta, os elementos sobem na composição até saírem pelos limites impostos pelo suporte. No rectângulo negro, surge-nos a máscara que adquire o valor simbólico dum ponto que fuga para o infinito. É novamente, a condição humana que está em questão. Muitas são as ameaças externas, fora do nosso controlo, como também, contemos, em nossa existência, incontaveís holocaustos.