Para esta obra "Foodbox", a ideia da caixa de comida surge no seguimento das notícias divulgadas pelos média, sobre a clonagem de orgãos, nas quais, referiam intervenções ao nivel genético, no organismo do porco, para futuros transplantes nos humanos.  Para os conhecedores, as entranhas do porco assemelham-se muito às nossas, há muito que a medicina conhece a compatibilidade e receptividade orgânica. Para os comedores, várias partes do suíno são consumidas como autênticas iguarias.

Criaram-se, portanto, determinadas relações de interdependência entre o homem e este animal. Enquanto tal, na composição, confrontam-se duas representações figurativas dos respectivos protagonistas: homem versus porco. A estilização formal sugerida nestes dois elementos, aproxima-os, criando entre eles, uma tangível tensão, reforçada pelas sombras projectadas num fundo de caixa. Aí aparece um padrão repetitivo, ladeado por dois planos em escorço, produzindo um espaço virtual, onde figuram dois personagens que sugerem a forma do haltere, símbolo dos opostos. Esta oposição admite, inúmeras interpretações dualistícas tais como: vida e morte, quente e frio, dia e noite... A concretização, dos planos laterais, foi efectivada, apoiada em duas fotografias, das quais dois elementos foram retirados. Isolados do contexto, surge, imediatamente, novas organizações que definiram o traçado compositivo. Tiras ou fitas perspectivadas convergem para um ponto invisível, realçando o poder que o centro exerce sobre esta composição. No ultímo plano repete-se um motivo simplificado do porco, originando um padrão geométrico, no qual as ilusões ópticas sugeridas, transmitem efeitos de vibração. O interesse da clonagem levanta questões éticas e morais que devem ser abordadas e bem ponderadas, manifestando, ainda, uma cada vez maoir, intervenção do homem no seu meio ambiente.