Nesta obra intitulada "Porcupine", a motivação persiste, ainda, na valorização modular das experiências com clonagem genética. Nestas ciências, a investigação adquire uma representação, cada vez mais, técnica e abstracta, passa-se pela descodificação molecular do A.D.N., seleccionando e interpretando algumas sequências. A cultura científica desenvolveu métodos e linguagens para interpretar os fenómenos, possibilitando uma estratificação do conhecimento, também,  na arte contemporânea, se propaga uma nova acessibilidade dos sinaís e imagens observados.

Em qualquer área de investigação, incluindo os conteúdos artistícos, recorre-se a sistemas de representação cognitivos em que a informação é veículada, sedimentando-se, desta maneira, o progresso e a capacidade de evolução. A escolha, levada a cabo pelo pesquisador, precede dum criterioso processo selectivo dos elementos e das operações possíveis de serem realizadas, consequentemente, teoriza-se sobre a influencia que o investigador possa exercer sobre os resultados da própria experiência. Na arte, o objecto artístico, ou antes, a experiência artística participa sempre dum significado materializado pelo seu autor. Neste quadro, os modelos usados para a realização desta composição são uma porca e o seu bácoro. Numa primeira apreensão, a imagem revela um animal enclausurado numa cercadura, só com uma observação mais atenta é que todas as formas se manifestam. A cerca, azul claro, é constituida por leitões, organizados em modulações padronizadas, estruturando a construção perspectica. O plano de fundo, por seu lado, participa duma esquematização dos quartos dianteiros duma porca, recombinados em sinais moduladores, evidenciando um padrão zoomórfico. Esta desmultiplicação do modelo, implica, naturalmente, uma descaracterização do próprio objecto de estudo.